Avaí para os seus. Todos os seus.

No Brasil, estima-se que 24% da população possua algum tipo de deficiência, seja ela física, sensorial ou intelectual e para essas pessoas ir a um jogo de futebol não é tarefa fácil. Problemas que vão desde ausência de transporte com acessibilidade até a falta de estrutura nos estádios são recorrentes.

O conceito de acessibilidade está relacionado com autonomia e independência, ou seja, a possibilidade de a pessoa com deficiência poder realizar as tarefas do cotidiano sem necessitar constantemente de ajuda de terceiros, o que no Avaí e em muitos clubes atualmente é quase impossível.

A minha experiência como torcedora do Avaí, frequentadora da Ressacada, começou na emblemática Série C de 1998, com 11 anos de idade. Depois de muito pedir, meu pai me levou a um jogo contra o Itabaiana. Na época, por ser criança era carregada até as cadeiras do Setor A e, desde então, a luta por acessibilidade no nosso estádio virou uma meta para mim.

Apesar de a Ressacada já ter passado por algumas reformas ao longo dos anos, especialmente depois do acesso de 2008, a acessibilidade nunca foi uma prioridade. Nosso estádio, mesmo com um espaço destinado a torcedores com deficiência no Setor D,  apresenta muitos problemas relacionados à acessibilidade, como:

– O espaço reservado quase não é usado por esse público, já que é praticamente impossível ver o jogo com o sol refletindo no vidro a sua frente;

– O espaço reservado quase não é usado por esse público, já que é praticamente impossível ver o jogo com o sol refletindo no vidro a sua frente;

– O espaço reservado quase não é usado por esse público, já que é praticamente impossível ver o jogo com o sol refletindo no vidro a sua frente;

Já tive experiências em diversos estádios no Brasil e em outros países, como Maracanã, Allianz Parque, Beira-Rio, Neoquímica Arena, Arena da Baixada, La Bombonera e Stade de France. Assisti jogos confortavelmente nesses locais, mas no estádio do meu próprio time tive dificuldades.

Durante muito tempo lutei por um banheiro feminino no Setor A que fosse acessível a cadeira de rodas (só existia uma cabine acessível no banheiro masculino). Apenas na temporada 2019 é que o banheiro saiu do papel, mas por pouco tempo. O banheiro adaptado foi cedido à equipe de arbitragem de vídeo (VAR). Reclamei à época e houve repercussão, porém sem o cuidado necessário na resolução da situação. 

O que pode ser feito?

A acessibilidade deve ser uma das prioridades quando da execução de reformas estruturais e ela não deve ser pensada somente para dentro do estádio: o entorno também deve ser levado em consideração. Por exemplo, melhorar o calçamento ao redor da Ressacada (estacionamento e acesso aos setores) é primordial para que o torcedor com deficiência possa frequentar o estádio com autonomia e independência.

Devem ser observadas as normas sobre acessibilidade: o art. 44, §1º, da Lei nº 13.146/16 (Lei Brasileira de Inclusão) prevê que os espaços destinados à pessoa com deficiência devem ser distribuídos pelo recinto em locais diversos, de boa visibilidade, em todos os setores. Já o art. 47, §1º, da citada lei prevê que 2% das vagas de estacionamento devem ser reservadas a pessoas com deficiência, com a devida sinalização (na Ressacada não há a pintura das vagas, o que dificulta a delimitação do espaço para abertura de porta do carro e passagem de cadeira de rodas).

Muitos problemas de acessibilidade seriam resolvidos se o Avaí disponibilizasse um canal para diálogo com os torcedores que possuem algum tipo de deficiência. E, para isso, o investimento no treinamento do corpo de funcionários para que esteja atento às demandas deste público é essencial.

Para os torcedores com deficiência visual, o clube poderia disponibilizar, por meio de frequência de rádio, a audiodescrição dos jogos.  

Outra coisa que é de fácil resolução é melhorar a acessibilidade nos canais de comunicação do clube, como site e mídias sociais. Isso pode ser feito por meio da descrição das imagens dos posts e notícias publicadas nos sites e mídias sociais.

Um clube de futebol deve valorizar e agregar todo e qualquer tipo de torcedor. Nós, torcedores com deficiência, queremos frequentar a Ressacada com independência e autonomia como qualquer outro torcedor e sentir ao vivo a emoção que é torcer pelo Avaí.

Publicado por Ana Paula De Bona

Sou avaiana desde a Carmela Dutra e quero um avai com acessibilidade e respeito aos torcedores com deficiência

Comentário em “Avaí para os seus. Todos os seus.

  1. Eu acho válido a petição para apurar o que a direção esta fazendo com as verbas do Gabriel. Também acho que o presidente Battistotti esta sendo um ótimo presidente do nosso clube e vaí mostrar a todos nós sua lealdade. Vamos que vamos AVAI.

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